Instituto EGBÉ inicia laboratório voltado ao fortalecimento do cinema negro sergipano

O EGBÉ LAB – Fortalecendo o Cinema Negro Sergipano iniciou, neste mês de maio, um ciclo de formação e desenvolvimento audiovisual voltado ao desenvolvimento de um longa-metragem e um telefilme, realizados em Sergipe. Realizado pelo Instituto EGBÉ – Cultura e Educação Afro-brasileira, o laboratório articula formação, criação e intercâmbio a partir de referências do cinema negro brasileiro e de diálogos com produções da diáspora negra.

A proposta reúne profissionais do audiovisual negro em diferentes momentos de trajetória para um processo intensivo de desenvolvimento de projetos, integrando roteiro e direção como partes fundamentais da criação cinematográfica. O laboratório também busca fortalecer o audiovisual negro sergipano em um contexto ainda marcado pela concentração de oportunidades de formação, circulação e mercado nos grandes centros do país.

“Existe uma urgência em criar espaços continuados de formação e desenvolvimento para realizadores negros em Sergipe. O EGBÉ LAB nasce desse desejo de fortalecer narrativas construídas a partir dos nossos territórios, das nossas experiências e dos nossos imaginários, conectando o cinema negro sergipano a diálogos mais amplos da diáspora e do audiovisual latino-americano”, afirma João Brazil, produtor executivo do projeto e diretor institucional do Instituto EGBÉ.

O Instituto EGBÉ – Cultura e Educação Afro-brasileira nasce como desdobramento das ações construídas pela EGBÉ – Mostra de Cinema Negro, ampliando sua atuação para além da exibição cinematográfica. Voltado ao fortalecimento da cultura, da educação e das práticas culturais afrodiaspóricas em Sergipe, o instituto desenvolve ações de formação, memória, circulação e produção de conhecimento ligadas ao cinema afro-sergipano.

Formação, diáspora e intercâmbio

O laboratório se organiza como um espaço de encontro entre diferentes experiências da diáspora negra ao reunir duas profissionais formadas pela Escuela Internacional de Cine y Televisión de Cuba (EICTV) e duas cineastas negras com projetos em desenvolvimento em Sergipe. Reconhecida internacionalmente pela formação de realizadores do Sul Global, a EICTV consolidou-se historicamente como um espaço de intercâmbio entre produções audiovisuais da América Latina, Caribe, África e Ásia.

A presença das consultoras amplia o diálogo entre experiências afrodiaspóricas e cinematografias latino-americanas, aproximando os projetos sergipanos de metodologias e redes internacionais de formação audiovisual.

Entre as convidadas do laboratório estão a roteirista cubana Xênia Riveri e a cineasta brasileira Everlane Moraes. Xênia estudou Dramaturgia e Roteiro na EICTV e foi aluna de Gabriel García Márquez, Senel Paz e Costa-Gavras. Também atuou como coordenadora e chefe da Cátedra de Roteiro da instituição por treze anos, além de assinar roteiros e consultorias de filmes premiados internacionalmente.

Já Everlane Moraes é formada pela EICTV e integra a Rede de Talentos do Projeto Paradiso e a APAN – Associação de Profissionais do Audiovisual Negro. Seus filmes circularam por festivais e espaços internacionais como Sundance Film Festival, International Film Festival Rotterdam e BFI London Film Festival. Em 2023, co-dirigiu a série Histórias Impossíveis, da Rede Globo, e tem estreia prevista para 2027 do longa-metragem, “O segredo de Sikán”.

Projetos em desenvolvimento

O laboratório acompanha o desenvolvimento de dois projetos contemplados pela Lei Paulo Gustavo em Sergipe. O primeiro é o longa-metragem “Abya Yala: Raízes do Futuro”, dirigido por Carolen Meneses, com roteiro desenvolvido em parceria com Beatriz Leal. A narrativa de ficção acompanha uma cidadã abya-yalense do ano 3000 que retorna ao passado em busca da semente de uma árvore luminosa capaz de regenerar a flora de seu tempo.

O segundo projeto é o telefilme “Samba de Celebração”, dirigido por Luciana Oliveira e roteirizado por Jéssica Maria Araújo e Victor de Rosa. A obra acompanha Alice, uma mulher quilombola grávida que precisa decidir se realizará a “meladinha”, tradição comunitária que acontece após o nascimento do bebê.

Metodologia e atividades

O processo de desenvolvimento do EGBÉ LAB é conduzido pelo roteirista, pesquisador e curador Victor de Rosa, mentor responsável pelo acompanhamento narrativo dos projetos ao lado das consultoras convidadas Xênia Riveri e Everlane Moraes.

As atividades do laboratório acontecem ao longo do mês de maio e incluem encontros coletivos e individuais, consultorias de roteiro e direção, reuniões de mentoria e uma imersão intensiva de desenvolvimento.

A metodologia do laboratório envolve exercícios de escrita e reescrita, análises de filmes e projetos, construção de planos de direção e preparação de materiais de apresentação e pitching, articulando criação narrativa e processos de direção audiovisual.

“Nos interessa pensar roteiro e direção como processos integrados, entendendo que a construção narrativa também é uma construção de imagem, de estética e de perspectiva. O laboratório propõe justamente um espaço de aprofundamento dessas relações a partir das experiências do cinema negro”, afirma Victor de Rosa.

Além das atividades internas, o projeto realizará uma masterclass online aberta ao público com Everlane Moraes, no dia 23 de maio, mediante inscrição. O ciclo será encerrado em agosto com uma atividade aberta ao público, apresentando os resultados desenvolvidos ao longo do processo formativo e compartilhando os caminhos construídos pelas obras durante o laboratório.

O EGBÉ LAB foi contemplado pelo Edital de Chamamento Público PNAB n.º 07/2025 – Formação Cultural, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (FUNCAP/SE) e Ministério da Cultura — Governo Federal.