Na tarde desta quinta-feira, 9 de abril, o Mercado EGBÉ promoveu rodadas de negócios entre projetos audiovisuais selecionados e representantes de empresas do setor. Os encontros aconteceram no Hotel Sesc, em Aracaju, reunindo produtoras independentes de diferentes regiões do país. Esta é a primeira vez que Sergipe recebe uma rodada de negócios do audiovisual. A iniciativa que é o primeiro mercado audiovisual do estado tem foco em projetos liderados por cineastas negros e negras.
Ao todo, 22 projetos foram selecionados por meio de inscrições gratuitas, sendo 10 deles de realizadores sergipanos. Os participantes puderam submeter até dois projetos nas categorias de desenvolvimento, produção ou obras finalizadas para licenciamento. Durante os encontros, cada equipe teve cerca de 20 minutos para apresentar sua proposta aos representantes das empresas convidadas, utilizando materiais como slides e vídeos.
Sete empresas do setor participaram das rodadas, reunindo plataformas, distribuidoras e produtoras interessadas em novos projetos. Entre os players convidados estavam a plataforma de streaming Globoplay, o canal dedicado a documentários e produções culturais, Canal Curta!, além das produtoras Conspiração Filmes, Têm Dendê Produções e Cinema Inflamável, e das distribuidoras Descoloniza Filmes e Fistaile. Durante as reuniões, os realizadores conversaram sobre suas obras, apresentaram trechos dos projetos e discutiram possibilidades de desenvolvimento, coprodução e circulação das produções.
Para além do encontro, o mercado EGBÉ prepara
Mais do que estabelecer o encontro com as empresas do audiovisual, a EGBÉ também tem como objetivo preparar os realizadores para negociar e circular com seus projetos. A proposta é fortalecer os negócios em torno das histórias produzidas por cineastas negros e negras, ampliando oportunidades para que esses projetos alcancem diferentes espaços de exibição e circulação.
Antes das rodadas de negócios, os selecionados participaram de consultorias com diferentes profissionais convidados pelo Mercado EGBÉ, em um processo de preparação para os encontros com representantes das empresas do setor. A proposta foi ampliar as possibilidades de circulação e negociação para projetos liderados por criadores e criadoras negras.
Consultora do Mercado EGBÉ, a produtora executiva Claudia Gonçalves, que atua em mercados audiovisuais e laboratórios formativos voltados a realizadores negros, também acompanha os projetos ao longo do evento, incluindo a preparação para o momento de pitching.

“A gente não queria que os produtores chegassem às rodadas sem antes poder aprimorar seus projetos. Por isso promovemos momentos de troca com consultores e mentores, porque um olhar de fora sempre pode trazer algo que a gente ainda não percebeu. Nas rodadas de negócios o tempo é curto, cerca de 20 minutos, então é importante chegar com o projeto muito bem estruturado, saber apresentar de forma concisa, explicar para quem ele é, qual o público, qual o orçamento e mostrar que você acredita naquela história”, ressalta Claudia.
Sergipe no centro
Para o produtor executivo João Brazil, trazer essa experiência para Sergipe é significativo não apenas por acontecer fora da região Sudeste, mas também por ser um evento gratuito. “Isso é um diferencial importante. Em muitos eventos semelhantes realizados fora do estado, a participação é paga, o que aumenta ainda mais os custos para realizadores que precisam viajar. Realizar esse encontro em Sergipe, e de forma gratuita, é uma forma de ampliar o acesso e valorizar os cineastas locais. Mesmo que sejam apenas 20 minutos para apresentar e defender um projeto, já é uma oportunidade muito relevante para quem está tentando colocar uma obra em circulação”, destaca.
Fellipe Paixão, de Sergipe, apresentou o projeto do filme Balancê durante as rodadas. Para ele, a realização de um mercado audiovisual em Sergipe representa uma mudança importante no acesso a esses espaços de negociação. “Eu literalmente acabei de voltar de São Paulo para defender o pitch de outro projeto e aqui eu saí de casa e estou participando de um mercado no meu próprio estado”, comenta. Segundo ele, iniciativas como o Mercado EGBÉ ajudam a deslocar o foco do audiovisual para além dos grandes centros e ampliam as oportunidades para realizadores locais. “Aqui a gente está conversando com os mesmos players e as mesmas empresas que estão nesses outros mercados, mas agora em Sergipe. A gente tem projetos para apresentar, o que muitas vezes falta é oportunidade.”

Bluesvi, diretor da obra Ton Toy: um mestre dos sons em Sergipe destacou a importância do evento para fortalecer o audiovisual negro e ampliar oportunidades no setor. Segundo ele, iniciativas como o Mercado EGBÉ são fundamentais para enfrentar desafios históricos relacionados à circulação e à distribuição das obras. “A importância de estar aqui é enorme. Além da oportunidade de conversar com os players presentes, as consultorias também são muito valiosas, porque trazem orientações sobre como apresentar o projeto, como definir valores e como se preparar para outros mercados. Essa experiência ajuda a gente a se preparar para novas apresentações e para outros eventos”, afirma.
A distribuidora Rayanne Layssa, da Descoloniza Filmes, participou das rodadas representando a empresa. A representante que cresceu em Sergipe, destacou a alegria de retornar ao estado após alguns anos e acompanhar de perto o desenvolvimento do setor audiovisual local.
“Estou muito feliz de voltar depois de sete anos e ver esse desenvolvimento acontecendo. Achei os projetos muito interessantes, com muito potencial, e acredito que alguns deles ainda vão render conversas depois. Muitas vezes, quando participo de outras rodadas, percebo que os lugares que mais me surpreendem criativamente são o Norte e o Nordeste. Então estar aqui e ver essa potência é muito especial”, afirma. Para ela, participar do evento agora como representante de uma distribuidora também tem um significado pessoal.

A programação do Mercado EGBÉ segue nesta sexta-feira com a apresentação pública dos pitches dos projetos audiovisuais selecionados. A atividade acontece das 14h às 17h, no SESC Hotel, em Aracaju, reunindo realizadores, representantes de empresas e agentes do mercado audiovisual. A entrada é gratuita, mas é necessário retirar o ingresso previamente na plataforma Sympla. Os ingressos são limitados. Após as apresentações, a programação do evento será encerrado às 18h.





