O Mercado EGBÉ divulgou os projetos selecionados para sua primeira edição, que acontece de 8 a 10 de abril de 2026, em Aracaju (SE), como parte da programação da 9ª EGBÉ – Mostra de Cinema Negro. As inscrições reuniram mais de 60 propostas de diferentes estados brasileiros e marcam o início das atividades do evento, que passa a operar com rodadas de negócios, pitching e consultorias voltadas ao desenvolvimento de projetos do audiovisual negro.
Ao todo, foram selecionados 23 projetos de sete estados brasileiros, distribuídos entre diferentes formatos e estágios de realização. O recorte evidencia a abrangência nacional da chamada e a presença expressiva de Sergipe, com 10 projetos selecionados, indicando também o papel do Mercado na dinamização do setor audiovisual no estado.
A presença sergipana atravessa diferentes etapas e formatos, ao lado de projetos vindos de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará, Paraná e Rio Grande do Norte, compondo um panorama diverso da produção contemporânea.
Perfil dos projetos selecionados
Os projetos selecionados para o Mercado EGBÉ evidenciam um recorte consistente do audiovisual brasileiro contemporâneo, com predominância de longas-metragens e séries, especialmente em fase de desenvolvimento, mas também com presença de obras em produção e finalização, indicando potencial imediato de circulação e negociação.
Do ponto de vista de linguagem, há um equilíbrio entre ficção e documentário, refletindo a diversidade estética e narrativa dos projetos inscritos. Essa pluralidade se articula a um conjunto de temas recorrentes que atravessam o programa: território, memória, religiosidade afro-brasileira, relações comunitárias, experiências urbanas e questões sociais como gênero, encarceramento e desigualdade.
Títulos como Onilé, Candomblé de Sergipe, Mãe de Mangue e Originários evidenciam o interesse por narrativas ancoradas em ancestralidade e territorialidade, enquanto projetos como Egressas: vida após o cárcere e O Ano Delas tensionam questões estruturais da sociedade brasileira a partir de perspectivas contemporâneas. Já obras como Você Precisa Lembrar e Ton Toy: um mestre dos sons de Sergipe apontam para investigações sobre memória, trajetória e construção de legado.
A seleção reúne projetos de diferentes regiões do país, com presença significativa de realizadores sergipanos, articulando dimensão nacional e enraizamento territorial. O conjunto revela não apenas diversidade temática, mas também um amadurecimento do campo, impulsionado por políticas públicas recentes que ampliaram o acesso à produção independente no Brasil.
Projetos nas Rodadas de Negócios
Entre os selecionados para as rodadas de negócios estão projetos como De tudo que poderia te deixar, da Frame 7 Cinema (SP); Emílio, da Alecrim Filmes (RJ); Rua 9, da Dandara Produções Culturais e Audiovisuais (SP); O ano delas, da Akan Produções (CE); Belas das artes, da Wogriot Filmes (RJ); e Espólio, de Tiago Silva (PR).
Também integram a seleção produções como Quando a chuva passar, de Bruno Santos Costa (SE); Luena, da Zenza Filmes (SE); Francisca Luís, da Pé de Mangue Audiovisual (BA); Pluma, de Rosy Nascimento (RN); e Balancê, de Fellipe Paixão (SE); além de Onilé, da Floriô de Cinema (SE); Telefone sem fio, da Jacuí Filmes (RJ); Lápis de cor, da Olhos Abertos Audiovisual (BA); e Mãe de Mangue, da Vixe Filmes (SE).
Completam a lista Represa, da Estação Filmes (SE); Egressas, da Clip Filmes (SE); Ton Toy: um mestre dos sons de Sergipe, da Bluesvi Filmes (SE); Fábio e Américo: um amor no improviso, da Arrudeia Filmes (RJ); e Originários, da Aláfia Cultural (SE).
Projetos selecionados para o pitching
No pitching, etapa voltada à apresentação dos projetos para players e público, foram selecionados: Você precisa lembrar, de Jonta Oliveira (SE); Ton Toy: um mestre dos sons de Sergipe, da Bluesvi Filmes (SE); Francisca Luís, da Pé de Mangue Audiovisual (BA); Onilé, da Floriô de Cinema (SE); Lápis de cor, da Olhos Abertos Audiovisual (BA); Candomblé de Sergipe, da Onan Produções (SE); e Fábio e Américo: um amor no improviso, da Arrudeia Filmes (RJ).
Estrutura de desenvolvimento e mercado
Antes do encontro presencial, os projetos passam por uma etapa de preparação com consultorias realizadas entre 24 de março e 3 de abril. Durante o Mercado, os participantes terão acesso a rodadas de negócios com players do setor, sessões públicas de apresentação e espaços de troca com profissionais do audiovisual.
A iniciativa foi concebida como um ambiente de desenvolvimento e negociação, conectando projetos liderados por pessoas negras a produtoras, plataformas, distribuidoras e agentes estratégicos do setor. A estrutura articula formação, circulação e mercado a partir de uma perspectiva alinhada a território, equidade racial e sustentabilidade profissional.
Realizado pela EGBÉ – Mostra de Cinema Negro, o Mercado EGBÉ inaugura uma frente voltada à indústria audiovisual dentro da trajetória da mostra. A primeira edição reúne empresas, consultores e instituições de diferentes regiões do país, atuantes em diversas frentes do setor audiovisual. A criação do Mercado marca a ampliação da atuação da mostra no campo da indústria audiovisual, ao estruturar um espaço contínuo de desenvolvimento, articulação e inserção de projetos no circuito profissional.





