O último dia do Mercado EGBÉ foi marcado pela apresentação dos projetos na sessão de pitching, realizada em um ambiente de troca e colaboração entre os participantes. Ao longo das atividades, ficou evidente a construção conjunta entre os realizadores, que se apoiaram mutuamente durante o processo, em uma dinâmica pautada pela coletividade.
O pitching, considerado como um dos momentos mais esperados dentro de um evento de mercado audiovisual, reuniu nove projetos selecionados, que foram apresentados ao público e a uma banca de players. Durante a defesa dos projetos, houve uma dinâmica de exposição, avaliação e troca de experiências.
Ao final das apresentações, a banca se reuniu para definir seis premiações destinadas aos projetos participantes. Entre os prêmios estavam dois passaportes para o Nordeste Lab, consultorias de desenho de audiência e roteiro e serviço de legendagem em língua estrangeira.
Mais cedo, os realizadores participaram de uma consultoria de pitching durante o ensaio da manhã, conduzida por Claudia Gonçalves, uma das profissionais mais competentes da área no país. O processo foi destacado como fundamental para o fortalecimento dos projetos. Nos bastidores, o que se observou foi um ambiente de forte integração entre os participantes, marcado por trocas, apoio mútuo e colaboração.

“Uma característica que a gente percebe aqui no Mercado EGBÉ é uma construção coletiva. De manhã, todos os participantes estavam ajudando um ao outro e se emocionaram no fim. Esse é um grande diferencial, que é a nossa força, a nossa potência. Eu acho que o que o Mercado EGBÉ leva para outros mercados é a formação, o fazer negócio, mas um fazer coletivo”, relatou Claudia.
Para Luciana Oliveira, diretora-geral e artística da EGBÉ, o momento de trocas serviu para o aprimoramento dos projetos e futuras apresentações. “Não era um ambiente de competição, muito pelo contrário, era um espaço de construção. Cada um ajudava o outro, apontava melhorias, torcia junto. Isso fez toda a diferença no processo”, afirmou.
Marina Kezen, do Canal Curta!, do Rio de Janeiro, se surpreendeu com projetos bem estruturados. “Nem sempre temos contato com projetos que estão fora desse eixo Rio-São Paulo. Então, eu realmente fiquei impressionada com a qualidade dos projetos. Está sendo muito bom para a gente. É a minha primeira vez em Aracaju e também a primeira vez trabalhando aqui. Então, a experiência tem sido 100% excelente. Quando a gente pensa em projetos audiovisuais, é comum que as pessoas tenham só uma ideia inicial. E aqui não. Aqui a gente encontra projetos estruturados. As pessoas sabem exatamente o que querem contar nas séries e nos filmes.”

A avaliação também foi compartilhada por Maryza Macedo, representante da Globoplay, que destacou a diversidade e o potencial dos projetos apresentados. “Estar aqui nessa primeira edição do mercado foi uma grande honra. A gente pode perceber muitos projetos criativos, a maturidade muito grande dos projetos e uma diversidade grande também dessas histórias que mostra o quanto que é possível e o quanto a gente ainda tem de história pra contar. Sergipe tem uma riqueza cultural muito grande, que o Brasil ainda não conhece, e um potencial forte para atrair novas histórias e personagens”, afirmou.

Premiação
Durante o pitching, muitos produtores afirmaram que aquele momento era uma janela para o futuro. E, ao pensar mais à frente, o Mercado EGBÉ também faz parte da construção de um caminho que muitos profissionais poderão trilhar, começando por propor novas oportunidades.
Mesmo com a pluralidade de projetos vindos de diferentes lugares do Brasil, a maioria ressoava muitas características em comum, que espelham o momento atual do cenário audiovisual. Temas como história, identidade, território e sexualidade marcaram uma presença potente na tarde de pitching.
E para impulsionar ainda mais esses projetos para novos horizontes, os players concederam às séries Onilé, da Floriô de Cinema, e Candomblé de Sergipe, da Onan Produções, ambos de Sergipe, passaportes para o Nordeste Lab, uma das maiores plataformas de articulação do setor audiovisual do Brasil.

Rita Avelar e Danielle Azevedo apresentaram o pitching da série Candomblé de Sergipe, e também foi a primeira vez delas em um mercado audiovisual. “Para a gente, que faz parte de um coletivo audiovisual de terreiro, é muito novo. Porque é importante para a gente dar voz e visibilidade aos povos de terreiro e mostrar que a gente também produz cinema. Então, para a gente foi super importante essa participação. E sair recebendo esse prêmio aqui de passaporte para o Nordeste Lab é mais incrível ainda, porque traz essa possibilidade de apresentar nosso trabalho para diversos players, para circulação, para investimento, coprodução”, comemorou Danielle.

O projeto do longa-metragem Francisca Luís, da Pé de Mangue Audiovisual, da Bahia, foi contemplado com uma consultoria de roteiro pela Paradiso Multiplica. Naira Soares, que apresentou o pitching do projeto, retoma a Salvador de 1579 para tensionar o lugar da mulher negra na sociedade e como os entrelaçamentos de sexualidade e raça ainda se perpetuam até hoje. Para a produtora, estar de volta a Sergipe, agora apresentando o seu trabalho, foi um momento de muito aprendizado e também de afetos.
“O Mercado EGBÉ foi realmente uma oportunidade única. Foi muito bom, porque é algo que eu estava até conversando com alguns colegas, que trouxe um olhar da sensibilidade, que é algo que falta muito no mercado, a gente fica um pouco engessado, trabalhando no mercado o tempo todo, trabalhando com grandes empresas, então, a nossa criatividade, a nossa leveza, a nossa sensibilidade acabam ficando um pouco de lado e a gente acaba perdendo muito com isso. E nossos projetos, e isso foi bem visível hoje, eles acabaram se complementando muito um com o outro, não foram projetos que estavam disputando entre si ou entre as pessoas, e sim se comentando, trazendo dicas, curiosidades e referências”, disse Naira.

O longa-metragem Fábio e Américo, um amor no improviso, da produtora Arrudeia Filmes, do Rio de Janeiro, foi consagrado com um serviço de legendagem em língua estrangeira pela VideoEye. Já a websérie Zoinho e os Pequenos Curiosos, da Olhos Abertos Audiovisual, foi contemplada com uma consultoria de desenho de audiência da Fistaile.

Larissa Fulana de Tal, que defendeu o projeto da websérie que tem o público infantil, se sentiu muito realizada por trazer o seu projeto que está em processo de finalização e poder colocar novos olhares para ele. “Entender que eu vou ter uma consultoria de olhar e pensar a infância, a família e no lugar de onde minha produção vai chegar, vai ser de suma importância. Então, eu acho que o movimento que a EGBÉ tem feito é mostrar que é possível fazer cinema de um outro formato, de a gente não só criar estratégias, mas fazer acontecer. Se conectar com essas pessoas é realmente acreditar que é possível existir de outra forma”, reiterou Larissa.





