Para além de negócios, Mercado EGBÉ amplia o olhar para a identidade e território no audiovisual negro

A EGBÉ — Mostra de Cinema Negro inaugura, em sua 9ª edição, seu primeiro mercado audiovisual. Com foco em apresentar e fazer circular projetos, o Mercado EGBÉ se torna um marco para o cenário cinematográfico negro sergipano. A ação abre portas para descentralizar o fomento audiovisual do Sul e Sudeste do Brasil, trazendo uma proposta essencial para o setor.

A ação de mercado, inédita em Sergipe, foi pensada para expandir as produções negras sergipanas, para que não fiquem restritas apenas à criação, mas possam avançar até sua concretização. Para além de um momento de negócios, o Mercado EGBÉ se organiza como um espaço onde a circulação não é apenas de projetos, mas de trajetórias, memórias e estratégias de permanência de profissionais negros no audiovisual.

“O Mercado EGBÉ foi concebido para que as criações e a realização de negócios por profissionais negros tenham mais um espaço de articulação a partir de Sergipe, com um olhar nacional”, explicou Cláudia Gonçalves, consultora de mercado e responsável pela consultoria do Mercado EGBÉ.

O intuito é fazer com que a ação de mercado se integre à rede audiovisual que debate, fomenta ações de formação e amplia oportunidades estratégicas, colocando realizadores negros no centro dessas produções. Ainda é possível perceber que o setor audiovisual carrega uma grande disputa de poderes que atravessa raça, classe e gênero. Sendo assim, o Mercado EGBÉ se posiciona em um lugar que tenciona essas questões.

O mercado audiovisual é um espaço onde criadores e produtores encontram potenciais parceiros, financiadores, exibidores e distribuidores que contribuam para a realização de seus projetos. É um ambiente estratégico de articulação, em que projetos são apresentados, parcerias podem ser firmadas, além da possibilidade de viabilizar novos financiamentos. Tudo isso promove maior circulação e alcance das obras.

O Mercado EGBÉ abre os caminhos com a proposta de ampliar essa rede de negócios com um olhar que mira novos horizontes. “É o momento de estimular ainda mais que os profissionais do audiovisual negro do nosso território possam fortalecer cada vez mais os seus trabalhos. Bem como acredito ser uma contribuição para um movimento em diferentes partes do país que já vem acontecendo: mostras e festivais de cinemas negros tem se preocupado em criar espaços de laboratórios e de negócios”, destacou Luciana Oliveira, diretora-geral da EGBÉ.

Cláudia Gonçalves ainda acrescenta que há um longo trabalho por trás do Mercado EGBÉ em que é realizada a curadoria de projetos em sintonia com os interesses apresentados pelos players. “Para que criadores e produtores tenham um espaço de troca e possível aprimoramento dos projetos a serem apresentados nas rodadas de negócios e no pitching, são oferecidas consultorias com profissionais experientes do setor”, explicou.

A EGBÉ já possui uma trajetória de nove edições atuando na difusão de produções audiovisuais em Sergipe. O Mercado EGBÉ se torna ponte entre produtores, instituições e possíveis financiadores, com o objetivo de ampliar ainda mais a circulação de ideias. A presença desses profissionais revela que o mercado não se limita à lógica de negociação, mas também se constrói como espaço de partilha de experiências e saberes.

“A médio e longo prazo, isso pode fortalecer a cadeia produtiva local, ampliar a visibilidade de projetos negros sergipanos e inserir essas produções em circuitos nacionais. Além disso, ajuda a consolidar Sergipe dentro do audiovisual negro brasileiro”, disse João Brazil, produtor executivo da EGBÉ.