9ª EGBÉ dedica edição às mulheres negras no audiovisual brasileiro

A 9ª edição da EGBÉ – Mostra de Cinema Negro acontece de 11 a 18 de abril de 2026, em Aracaju (SE), consolidando-se como um dos espaços de articulação estética, política e formativa do cinema negro no país. Com o tema “A contribuição das mulheres negras no audiovisual brasileiro”, a mostra propõe um mergulho nas trajetórias, obras e práticas construídas por realizadoras, pesquisadoras, produtoras, técnicas e educadoras negras, evidenciando seu papel estruturante na história e no presente do cinema brasileiro.

A EGBÉ se organiza como uma plataforma de pensamento crítico, memória e autoria negra feminina. Ao longo de sua programação, a edição articula cinema, formação, debate e mercado, posicionando o audiovisual como campo de produção de conhecimento e transformação social. A proposta parte do reconhecimento de que mulheres negras não apenas realizam filmes, mas também formulam linguagens, pedagogias e modos de produção que tensionam apagamentos históricos e reconfiguram as possibilidades do cinema no Brasil.

A Mostra Oficial reúne 20 filmes de 11 estados brasileiros, distribuídos em sessões que refletem a diversidade estética e temática do cinema negro contemporâneo. As obras dialogam com questões urgentes do presente, como território, trabalho, memória, afetividade e futuro, e mobilizam o cinema como prática de escuta, disputa simbólica e invenção de novos imaginários.

A programação também incorpora sessões internacionais dedicadas à cineasta cubana Sara Gómez, atividades formativas, lançamentos de livros, mesas de debate e ações culturais que expandem o evento para além das salas de cinema. Essas frentes se articulam ao tema da edição ao evidenciar o pensamento e a atuação de mulheres negras no audiovisual, reunindo pesquisadoras e realizadoras como Edileuza Penha de Souza, Kênia Freitas, Janaína Oliveira, Everlane Moraes e Naira Évine. A presença dessas convidadas reforça a dimensão intelectual da mostra, que compreende o cinema como espaço de elaboração crítica, produção de conhecimento e construção de perspectivas sobre gênero, raça e poder.

Homenagem a Lilian Solá Santiago marca a edição

Como eixo simbólico desta edição, a EGBÉ homenageia a cineasta Lilian Solá Santiago com o Troféu Severo D’Acelino. Sua trajetória, marcada pela articulação entre cinema, memória e identidade afro-indígena, sintetiza a proposta da mostra ao afirmar o audiovisual como ferramenta de preservação histórica e intervenção no presente. Diretora, pesquisadora e professora, Lilian construiu uma obra comprometida com narrativas historicamente sub-representadas e integra uma geração fundamental para a consolidação do cinema negro brasileiro.

A homenageada também conduz a masterclass de abertura, “Uma mulher no Dogma Feijoada”, conectando sua trajetória ao histórico movimento do cinema negro brasileiro e tensionando as relações de gênero e raça no campo audiovisual.

Mercado EGBÉ amplia atuação da mostra no setor audiovisual

A edição de 2026 marca ainda a criação do Mercado EGBÉ, realizado de 8 a 10 de abril, ampliando a atuação da mostra no campo da indústria audiovisual. A iniciativa reúne projetos de diferentes regiões do país, promove rodadas de negócios, consultorias, treinamento e pitching público, além de aproximar realizadores negros de empresas do setor.

Com a participação de players como Globoplay, Canal Curta!, Conspiração Filmes, Tem Dendê Produções, Cinema Inflamável, Fistaile e Descoloniza Filmes, o mercado passa a integrar um circuito ainda restrito de espaços voltados ao audiovisual negro, atuando de forma estratégica no fortalecimento econômico, político e simbólico do setor.

Trajetória consolida a EGBÉ como referência nacional

Realizada em Sergipe desde 2016, a EGBÉ se afirma como uma mostra situada fora do eixo hegemônico de produção, mas plenamente inserida no debate nacional sobre cinema, cultura e política. Ao longo de sua trajetória, o evento já exibiu mais de 200 filmes, realizou dezenas de atividades formativas e reuniu realizadores e pesquisadores de todas as regiões do país, operando como um espaço de circulação, formação e articulação do cinema negro brasileiro.

A 9ª EGBÉ – Mostra de Cinema Negro é realizada pelo Cineclube Candeeiro, Rolimã Filmes e Instituto EGBÉ, com financiamento da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Governo do Estado de Sergipe e da FUNCAP – Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe, além do Ministério da Cultura e do Governo Federal – Brasil, União e Reconstrução.

A edição conta com apoio cultural da vereadora Sônia Meire e do Cinema Walmir Almeida, além de apoio institucional da Universidade Federal de Sergipe (UFS), do Departamento de Comunicação Social (DCOS), do Núcleo Interdisciplinar de Cinema e Educação (NICE) e do Programa de Pós-Graduação em Cinema (PPGCINE).

Entre os parceiros da 9ª edição estão Paradiso Multiplica, Vem de Sergipe, Fecomércio Sergipe, Sesc, Senac, FICINE, Cineclube Zoinho, Instituto Banese, Museu da Gente Sergipana, Firelight Media, Filmicca, Fistaile, Tarrafa Filmes, MercaMimb, VideoEye e Nordeste Lab, compondo uma rede que articula formação, difusão, mercado e desenvolvimento do audiovisual negro no Brasil.

Foto: Mercedes Baptista, do documentário de Pé no Chão – A Dança Afro de Mercedes Baptista, de Lilian Solá Santiago