A 9ª EGBÉ — Mostra de Cinema Negro amplia sua programação para além das exibições e reúne, ao longo de abril, uma agenda de debates, sessões comentadas e lançamentos de livros voltados à reflexão sobre cinema negro, educação, memória e crítica audiovisual. Realizada em Aracaju, a edição de 2026 consolida a mostra também como espaço de formação e circulação de pensamento no campo do audiovisual brasileiro.
Entre os destaques está a mesa “Cinema e Educação Antirracista”, no dia 13 de abril, no Sesc Comércio, com participação da professora, cineasta e pesquisadora Edileuza Penha de Souza e de Diogo Teles, do Núcleo Interdisciplinar de Cinema e Educação da UFS, com mediação de João Brazil, professor e co-idealizador do Cineclube Candeeiro. A atividade aproxima o debate sobre imagem, formação crítica e pedagogia antirracista, eixo que atravessa a edição deste ano.
No mesmo dia, a programação inclui lançamentos de livros com a presença das autoras Edileuza Penha de Souza, Janaína Oliveira e Kênia Freitas, reunindo publicações que tensionam relações entre cinema, território, curadoria e pensamento negro. Os títulos apresentados são Cinema Quilombola – Territorialidades e Territórios Ancestrais, Cinema Negro no Feminino e Curadoria em cinema: do pensamento em ação.
A agenda inclui ainda a Mostra Lilian Solá Santiago, com exibição dos filmes Eu Tenho a Palavra e Balé de pé no chão – A dança afro de Mercedes Baptista, seguida de bate-papo com a diretora. Homenageada da 9ª edição com o Troféu Severo D’Acelino, Lilian ocupa lugar central na programação dedicada ao tema “A contribuição das mulheres negras no audiovisual brasileiro”.
A programação reflexiva se estende à mesa “Mulheres Negras construindo o audiovisual brasileiro”, no dia 15 de abril, com Kênia Freitas, Naira Évine e Everlane Moraes, com mediação de Ângela Alekole. O encontro propõe uma conversa sobre criação, crítica, trajetória e formulação de linguagem a partir da atuação de mulheres negras no cinema contemporâneo.
Esse eixo também atravessa a Mostra Internacional — Sessão Sara Gómez, com sessões comentadas por Janaína Oliveira e participação de Everlane Moraes. Ao incluir filmes da realizadora cubana, a EGBÉ amplia o diálogo com tradições negras e diaspóricas do cinema, conectando curadoria, história e circulação internacional de imagens.
Para Luciana Oliveira, diretora-geral e artística da EGBÉ, a proposta é afirmar o cinema como espaço de elaboração crítica e produção de conhecimento. “A EGBÉ é pensada como um lugar onde o cinema não se encerra na exibição. A gente entende que essas imagens também produzem pensamento, atravessam processos formativos e ajudam a reorganizar a forma como olhamos para a história, para a memória e para o próprio fazer audiovisual. Por isso, essa programação de debates, livros e encontros é estruturante da mostra”, afirma.
Ao reunir pesquisadoras, cineastas, curadoras, autoras e público em torno de debates, lançamentos e sessões comentadas, a 9ª EGBÉ afirma o cinema como espaço de produção de conhecimento e elaboração crítica. A mostra articula reflexão, memória e criação para evidenciar o papel das mulheres negras na construção de linguagens, imaginários e práticas que seguem transformando o audiovisual brasileiro.
Foto: Pritty Reis





