A EGBÉ é uma mostra de cinema negro dedicada à celebração das múltiplas formas de ser, imaginar e existir de pessoas negras no Brasil e nas diásporas. Surge do compromisso com uma política de imagens alinhada às lutas, memórias e imaginações historicamente silenciadas, afirmando o cinema como campo de disputa simbólica, afeto e transformação.
A mostra se constitui como plataforma de visibilidade, escuta e articulação, reunindo realizadores e realizadoras negras, territórios periféricos e quilombolas, juventudes, coletivos culturais e redes de cineclubes. Seu trabalho se orienta pela criação de espaços de encontro, crítica e celebração, onde o cinema se afirma como linguagem viva, ferramenta pedagógica e gesto político.
Cada edição reafirma a EGBÉ como território de presença e continuidade, fortalecendo a liberdade criativa dos cinemas negros, ampliando vozes e consolidando práticas coletivas de produção, circulação e fruição audiovisual.
Com curadoria assinada por profissionais negros, a EGBÉ propõe um percurso estético e ético que desloca centros, amplia repertórios e tensiona hierarquias de dominação. A programação articula exibições públicas, rodas de conversa, oficinas formativas e ações territoriais, integrando cinema, educação e cuidado coletivo.
A mostra se diferencia pela escuta atenta aos territórios, pela valorização do afeto como prática política e pela centralidade da curadoria negra em todas as etapas do processo, atuando de forma consistente na descentralização das narrativas e no fortalecimento de redes.
Formação e articulação
A EGBÉ desenvolve, desde sua primeira edição, ações formativas voltadas a estudantes, realizadores e profissionais negros do audiovisual, por meio de oficinas, debates e atividades educativas. A parceria com escolas públicas, universidades e iniciativas comunitárias é parte estruturante do projeto, assim como o diálogo com outras linguagens artísticas e saberes coletivos.
Entre essas articulações está a realização anual da Feira do Mangaio Negro, produzida pela marca Negra Luz, além da participação de artistas visuais, músicos e empreendedores culturais que integram as programações da mostra.
Reconhecimentos
Em 2018, a EGBÉ recebeu a Comenda Cultural Maria Beatriz Nascimento, concedida pela Assembleia Legislativa de Sergipe, por iniciativa da deputada estadual Ana Lúcia. Em abril de 2022 e maio de 2025, foi homenageada com uma Moção de Aplausos do Conselho Estadual de Cultura, em reconhecimento à sua contribuição para o fortalecimento da cultura negra e para a valorização do audiovisual produzido por pessoas negras. EGBÉ – Mostra de Cinema Negro recebeu o Prêmio de Reconhecimento Cultural Ilma Mendes Fontes da Academia de Letras de Aracaju (ALA) na categoria audiovisual em 2023.
Impacto
A EGBÉ segue ampliando seu alcance e impacto. Na oitava edição, realizada em 2024–2025, a mostra recebeu 174 inscrições de filmes. As exibições presenciais registram uma média estimada de 650 pessoas por edição. Em 2020, a mostra alcançou 3.065 exibições online em 183 cidades; em 2021, foram 1.462 exibições em 96 municípios brasileiros.
Os números, no entanto, não esgotam o impacto da EGBÉ, que se expressa sobretudo nas trocas simbólicas, afetivas e políticas produzidas nos encontros que a mostra promove.