Ações educacionais sempre formaram um dos pilares da Egbé Mostra de Cinema Negro, e, na prévia da oitava edição, que está prevista para acontecer em abril de 2025, não poderíamos deixar essa questão de lado. Por meio de uma parceria entre o ´Vem de Sergipe´, núcleo de formação da Rolimã Filmes e a Egbé, foram realizadas duas oficinas gratuitas nas duas últimas semanas de novembro de 2024.
Ministrada por Lu Silva, mestre em Comunicação e Sociedade pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) com experiência reconhecida no estado na área de edição e montagem, a oficina Documentário Sergipano – Trajetória e Rupturas abriu essa última rodada de atividades do ano. A pesquisadora do Observatório Do Audiovisual da UFS ressaltou a vertente muito grande do documentário na história do cinema sergipano e através dos encontros, além de apresentar um pouco dessa memória, ela também fez um percurso acompanhando as mudanças no cenário ao longo dos anos.
“Falar sobre as rupturas que foram causadas pela chegada de novas estéticas, novas linguagens e novos realizadores foi fantástico”, disse Lu Silva, destacando ainda a participação dentro da programação da Egbé. “A gente vai perceber que dentro das rupturas do documentário veio o processo de acesso de pessoas pretas e periféricas e essas pessoas causam rupturas dentro de um processo estético discursivo narrativo”, ressaltou.
Lu Silva também comentou sobre a importância do aquilombamento real entre realizadores e realizadoras. “É muito necessário a gente pensar coletivamente para se fortalecer enquanto cinema. Precisamos desse aquilombamento real, eu vou fornecer um pouco dos meus conhecimentos e as pessoas vão fornecer os deles e, a partir daí, se somar para construir um coletivo maior e mais forte.”
Bruno Costa, estudante de Cinema e realizador de audiovisual, achou a oficina incrível, comentando que ela trouxe uma oportunidade para redescobrir a história do povo sergipano. “Falei com alguns colegas que estava redescobrindo Sergipe a partir de alguns documentários do nosso cinema. Achei que foi um incentivo incrível da Egbé e espero que venham outros”. Um dos momentos marcantes para o realizador foi conhecer um pouco mais do trabalho de Everlane Moraes. “Eu já conhecia um trabalho dela, mas tive a oportunidade de assistir mais dois e o que mais me marcou foi ‘A gente acaba aqui’, ela fala sobre a morte de uma maneira muito natural, acho que isso é muito bom para o tema”, revelou, destacando, também, a oportunidade que teve de ter conhecido outros artistas que foram objetos de documentários.






Planejamento de Produção Audiovisual
Para muitos realizadores, desenho de produção, orçamento e prestação de contas – temas abordados na oficina ministrada por Nah Donato – ainda são questões que trazem muitas dúvidas e acabam interferindo diretamente na execução dos seus projetos, seja pelos números ou até mesmo pela questão burocrática do processo. Para desmistificar um pouco essa parte tão essencial, Nah Donato, produtora do longa-metragem ‘A pelada’, de Damien Chemin e produtora executiva de diversos curtas-metragens sergipanos premiados como ‘Super Frente, super 8’, de Moema Pascoini e ‘Caixa D’água, quilombo é esse?’, de Everlane Moraes, conduziu sua oficina numa linguagem fácil e prática. “Vamos fazer uma simulação, com modelos de orçamentos e de prestações de contas selecionados para a oficina”, comentou.
Para Nah Donato foi uma alegria poder juntar essa oficina à programação da Egbé. “Era algo que Lu ( Lucina Oliveira, diretora geral da Egbé) e eu conversávamos há muito tempo, inserir uma oficina dentro da programação da mostra, e está sendo muito bom participar de um projeto que eu sempre quis, que acompanhei desde o início e, hoje, eu faço parte”, frisou.
No primeiro encontro, Nah Donato levou como convidado Wendell Barbosa, produtor audiovisual. Tendo trabalhado em diversos projetos, os dois comentaram de forma bastante descontraída e engajante como foi o processo de produção do longa-metragem “Orquestra dos Meninos”, filmado em Sergipe, dirigido por Paulo Thiago, trazendo no elenco Murilo Rosa, Othon Bastos e Priscila Fantin. Durante o bate-papo Wendell Barbosa apresentou os diversos tipos de produção envolvida num longa-metragem bem como os desafios apresentados na época, dando aos presentes dicas valiosas que o próprio utiliza até hoje, independente do projeto no qual está trabalhando.
Grato pelo convite, Wendell Barbosa destacou o feedback recebido pelo público. “Estamos falando aqui para pessoas que gostam de cinema ou que já são da área. Perceber o interesse, responder às perguntas só reforça que massa é esse projeto. Quero mesmo é agradecer pelo convite”.
Proprietária de uma agência de marketing, Myllena Santana achou o primeiro encontro muito inspirador e enriquecedor. “Um dos serviços que prestamos é produção de vídeo, então estou aqui para me capacitar melhor. Cheguei uma pessoa e já estou saindo outra”, admite com entusiasmo. A gerente de projetos também tem ambições criativas para além do trabalho. “Tenho muita vontade de agregar ciência ao audiovisual dentro de um projeto educacional voltado para crianças”, disse Myllena, destacando que a ideia vem dos tempos em que cursava Química Industrial na UFS.


