A 9ª EGBÉ – Mostra de Cinema Negro tem como tema A contribuição das mulheres negras no audiovisual brasileiro e propõe um olhar atento às trajetórias, obras e práticas que mulheres negras vêm construindo no cinema nacional. Esta edição evidencia o protagonismo dessas realizadoras na criação de narrativas, estéticas e modos de produção que tensionam apagamentos históricos e propõem uma diversidade de formas de pensar, fazer e sentir o cinema.
Mulheres-peixe carregam em suas mãos câmeras-espelho que ampliam as possibilidades de representação no audiovisual, afirmando o cinema negro como espaço de autoria, memória e transformação social. É preciso lembrar das palavras da pensadora Rosane Borges quando afirma que as cineastas negras do nosso tempo estão tomando em suas mãos o espelho de Oxum, porque elas estão virando o espelho “no sentido de dizer que o vínculo não é o autor referencial, o vínculo é com o outro”.
Assumindo diversas funções no interior do trabalho cinematográfico, mulheres negras projetam um cinema antirracista em que prezam pela humanização de nossos corpos por meio da imagem e da produção desta. Trata-se da construção de um cinema que preze pela boa técnica, mas que, fundamentalmente, seja forjado pela amorosidade, pela gentileza e pelo reconhecimento da existência do outro e de sua sabedoria, em sua pluralidade.
Celebramos os cinemas de mulheres negras desde Adélia Sampaio, aquela que nos apresentou a possibilidade de tensionar o espaço de trabalho no set de filmagem para implementar mais dignidade e afeto nas relações.
Celebramos as águas que transitam pelo Nordeste brasileiro e que tornaram possível a existência e o nascimento do pensamento de mulheres no cinema, como o de Beatriz Nascimento, Everlane Moraes, Marivone Araújo, Yérsia Assis, Fernanda Almeida, Beatriz Vieirah, Daiane Rosário, Larissa Fulana de Tal, Naira Évine Soares, Viviane Ferreira, Carine Fiúza, Marise Urbano, Lu Silva, Nah Donato e muitas outras, às quais pedimos desculpas por não ser possível nomear todas neste curto espaço de reflexão. Muitas de nós desaguam em todas as partes deste território.
Celebramos a existência de mulheres negras que fundaram, em diferentes regiões do país, formas estéticas, políticas e afetuosas de construir narrativas que rompem com a lógica colonial de representar corpos negros, dando nome e sobrenome às personagens. Em um movimento contínuo de produção em diferentes âmbitos, seja no fazer audiovisual ou nas pesquisas acadêmicas, na curadoria, na distribuição, na atuação política, muitas delas buscam construir um cinema possível para todas as pessoas brasileiras.
Um aplauso ao trabalho de Edileuza Penha de Souza, Rayane Penha, Joyce Prado (in memoriam), Larissa Nepomuceno, Tatiana Carvalho, Janaína Oliveira, Renata Martins, Claudia Gonçalves e tantas outras mulheres que cumprem a missão sagrada de construir um cinema brasileiro mais diverso e possível, mesmo “nos dias de destruição”.
É para enaltecer a força e a insistência dessas mulheres-peixe na preservação da memória negra por meio das imagens que esta edição tem a honra de homenagear a cineasta Lilian Solá Santiago. Convidamos todas as pessoas comprometidas com a construção e o consumo de um cinema brasileiro igualitário e justo a acompanhar a programação da 9ª EGBÉ – Mostra de Cinema Negro.
Luciana Oliveira — Diretora-geral e artística da EGBÉ
Nesta edição, a EGBÉ homenageia Lilian Solá Santiago, cineasta, roteirista, produtora, pesquisadora e professora cuja trajetória articula cinema, memória e identidade afro-indígena no Brasil.
Com uma obra documental reconhecida no Brasil e no exterior, construiu um percurso dedicado à valorização de narrativas historicamente sub-representadas e à reflexão crítica sobre o audiovisual. Criadora da Casa da Memória Negra de Salto, sua atuação reúne criação artística, pesquisa, formação e preservação cultural, afirmando o cinema como ferramenta de transformação social.
Comprometida com a memória, Lilian marca o cinema brasileiro com a produção de filmes como Eu Tenho a Palavra (2010), curta-metragem documental no qual a cineasta explora as origens africanas no Brasil por meio da linguística, apresentando as proximidades entre Brasil e Angola a partir de palavras preservadas na oralidade. Também apontou sua câmera-espelho para Mercedes Baptista no documentário Balé de Pé no Chão – A Dança Afro de Mercedes Baptista (2005), possibilitando às gerações futuras conhecer a imagem e ouvir a voz da dançarina considerada a principal precursora da dança afro-brasileira.
Formada em História pela Universidade de São Paulo e atenta ouvinte das histórias de família na infância, sua presença no cinema começa ainda criança, quando fez figuração no filme Ao Sul do Meu Corpo (1982), de Paulo Cesar Saraceni. Sua carreira se consolida na adolescência, como assistente de produção, acumulando ao longo do tempo experiências na publicidade e integrando, nos anos 2000, o movimento Dogma Feijoada, do qual foi a única mulher integrante.
A trajetória de Lilian Solá Santiago inspira mulheres negras cineastas que vieram depois. A força de seus passos e a firmeza na construção de projetos práticos e teóricos constituem uma contribuição fundamental para o cinema brasileiro e seguem como inspiração para as futuras gerações.
Bem-vinda à EGBÉ, Lilian Solá Santiago!
Local: Museu da Gente Sergipana
15h Feira do Mangaio Negro
15h Masterclass de abertura: Uma mulher no Dogma Feijoada
Com Lilian Solá Santiago
17h Cerimônia de abertura
Troféu Severo D’Acelino para diretora homenageada Lilian Solá Santiago
18h Exibição de longa-metragem convidado Quatro meninas, dir. Karen Suzane
2025 | 1h 29min | Drama
País: Brasil, Holanda
19h30 Bate-papo com a diretora Karen Suzane
20h30 Show de abertura
Stella
Local: Sesc Comércio
15h Mesa: Cinema e Educação Antirracista
Com Edileuza Penha de Souza (Professora, Cineasta e Pesquisadora/UNB) e Diogo Teles (Núcleo Interdisciplinar de Cinema e Educação/UFS). Mediação: João Brazil (Co-idealizador da EGBÉ e do Cineclube Candeeiro)
17h Lançamentos de livros
Com a presença das autoras Edileuza Penha de Souza, Janaína Oliveira e Kênia Freitas
📚 “Cinema Quilombola – Territorialidades e Territórios Ancestrais”
📚 “Cinema Negro no Feminino”
📚 “Curadoria em cinema: do pensamento em ação”
19h Mostra Lilian Solá Santiago
🎞️ Eu Tenho a Palavra, dir. Lilian Solá Santiago, 26min, 2011
🎞️ Balé de pé no chão – A dança afro de Mercedes Baptista, dir. Lilian Solá Santiago, 52min, 2006
20h15 Bate-papo com a diretora
📍Local: Sesc Comércio e online na Ubuplay
15h Mostra Oficial EGBÉ – Sessão Cotidianos em Estado de Invenção
Caminhamos entre jornadas de trabalho exaustivas, atravessamentos urbanos, fantasias que assombram e gestos de reinvenção pessoal. Mesmo imersos em rotinas duras, encontramos brechas para sonhar, reorganizar nossos destinos e criar espaços de fabulação do comum, onde o ordinário se transforma em campo de resistência, liberdade e imaginação radical.
🎞️ Praia das Artistas, dir. Rosy Nascimento. 2025, RN, 15 min, 12 anos
🎞️ Samuel foi trabalhar, dir. Janderson Felipe e Lucas Litrento. 2024, AL, 17min, 10 anos
🎞️ Redestina, dir. Mayara Mascarenhas. 2025, MG, 14min, Livre
🎞️ Comigo Ninguém Pode, dir. Madlene Delfino. 2025, AL, 11min, Livre
Bate-papo com realizadores e convidados
📍Local: Cinema do Centro (Centro Cultural de Aracaju)
18h30 Mostra Internacional – Sessão Sara Gómez
*Confira o texto curatorial aqui
Sessão comentada com a curadora Janaína Oliveira e a cineasta Everlane Moraes
🎞️ Di cierta manera
1977 | 1h 15min | Drama, Romance
País: Cuba
📍Local: Sesc Comércio
15h Mostra Internacional – Sessão Sara Gómez
*Confira o texto curatorial aqui
Sessão comentada com Kênia Freitas e Vinícius Dórea
🎞️ Guanabacoa: crónica de mi familia
1966 | 15min | Documentário
País: Cuba
🎞️ Mi aporte
1969 | 34min | Documentário
País: Cuba
📍Local: Cinema do Centro (Centro Cultural de Aracaju) e online na Ubuplay
18h30 Mostra Oficial EGBÉ – Sessão Corpo, Memória e Reconstrução
O cinema aqui opera como gesto de reconstrução: de imagens ausentes e histórias fragmentadas. O corpo — individual e coletivo — é território onde se inscrevem ancestralidades, traumas, saberes e espiritualidades, tensionando as fronteiras entre o visível e o imaginado, afirmando a criação artística como forma de disputa narrativa e de reencantamento do mundo.
🎞️ O Sonho de Anu, dir. Vanessa Kypá 2024 PB – 16 min, Livre
🎞️ Acupe, dir. Rafa Martins. 2024, BA, 7min, Livre
🎞️ Da Pele Prata, dir. Safira Moreira, 2025 RJ – 26 min, Livre
🎞️ Vermelho de Bolinhas, dir. Renata Fortes e Joedson Kelvin, 2025, CE – 19 min, Livre
Bate-papo com realizadores e convidados
20h Mesa: Mulheres Negras construindo o audiovisual brasileiro
Com Kênia Freitas, Naira Évine e Everlane Moraes. Mediação: Ângela Alekole
📍Local: SESC Comércio
15h Mostrinha Cineclube Zoinho
(Oficina lúdica com Zoinho)
🎞️ Bia Desenha: decalcando nuvens – ep. 11, dir. Neco Tabosa, 7min, PE, Livre
🎞️ Quintal, dir. Mariana Netto, 15min, BA, Livre
🎞️ Contos mirabolantes – O olho do Mapinguari, dir. Andrei Miralha, 9min, PA, Livre
📍Local: Cinema do Centro (Centro Cultural de Aracaju) e online na Ubuplay
18h30 Mostra Oficial EGBÉ – Sessão Amor é Ação
Como diria Bell Hooks o amor não é só um sentimento, é ação. Nessa sessão o amor das mães, filhas e avós ganha tela a partir de um conjunto de ações que sinalizam uma luta pela memória, pelo não embrutecimento de seus corações e a reescrita de nossas histórias.
🎞️ Calmon, dir. Joyce Prado. 2026, SP, 25min, Livre
🎞️ Donas Da Cultura Popular – Madá, dir. Davi Cavalcante. 2025, SE, 15min Livre
🎞️ A minha saudade num retrato eu guardei, dir. Mony Mendonça e Julie Santos. 2026, SE, 20min, Livre
🎞️ Em busca da riqueza (quase) esquecida, dir. Naira Soares. 2025, BA, 20 min Livre
Bate-papo com realizadores e convidados
📍Local: SESC Comércio e online na Ubuplay
15h Mostra Oficial EGBÉ – Sessão Novas Encruzilhadas
Em tempos de emergência climática, bigtechs, algoritmos e ataques constantes à soberania dos povos, surge a necessidade de reelaborarmos sobre o modo como vivemos em coletividade. São tempos de novas encruzilhadas.
🎞️ Ainda escuto o céu embaixo d’água, dir. Alice Lovelace, Céuva, Kalina Flor, Lua de Kendra, Marina Bonifácio, Morgana Neves, Nara Dos Santos, Pérolla Negra e Samantha de Araújo. 2024, AL, 13 min 10 anos
🎞️ Entre nós, vive o rio, dir. Day Rodrigues. 2025, SP. 14 min, Livre.
🎞️ Rapsódia em Azul, dir. Marina Barancelli, 2025, PR. 15 min 10 anos
🎞️ E seu corpo é belo, dir. Yuri Costa, 2024, RJ, 14 anos
Bate-papo com realizadores e convidados
📍Local: Cinema do Centro (Centro Cultural de Aracaju) e online na Ubuplay
18h30 Mostra Oficial EGBÉ – Sessão Tecnologias Pretas
Seja para nos curar dos traumas coloniais ou para construir outras possibilidades de futuro, nessa sessão, a tecnologia ancestral preta é elaborada como um dispositivo que pode nos apresentar novas conexões com o porvir e o passado.
🎞️ A Sombra de Um Futuro, dir. Gabriel Borges. 2025, PR, 19 min,10 anos
🎞️ Sertão 2138, dir. Deuilton B Junior. 2025, PE, 19 min, Livre
Oriranti, Dir. Petyta Reis. 2026, SP, 18 min, Livre
🎞️ Não é exatamente amor, dir. Janaína Santos Vasconcelos, 2025, SE, 11 min, Livre
Bate-papo com realizadores e convidados
📍Local: Centro Cultural de Aracaju
17h Feira do Mangaio Negro
18h30 Cerimônia de encerramento
19h30 Circuito Itinerante Borboletas Filmes
🎞️ A Culpa é da Mãe, dir. Luciana Oliveira e Manoela Veloso Passos, Documentário, 2025, SE, 19min
🎞️ A Um Gole da Eternidade, dir. Paulo Ricardo de Moraes e Camila de Moraes, Ficção, 2024, RS, 16min
🎞️ Quarta-Feira, dir. João Pedro Prado & Bárbara Santos, Musical, 2023, Alemanha, 30min
20h30 Distribuição no cinema independente brasileiro
Bate-papo com Camila de Moraes
22h Show de encerramento
Mayra Felix comanda a roda de samba com participação de Lari Lima, Jaciara Chagas e Lívia Aquino